terça-feira, 3 de dezembro de 2013

A noite das pinduretas

Estavam no bar o narrador dessa história e mais 4 amigos que não serão nomeados. O objetivo era, como sempre, tomar apenas umas poucas cervejas pra curtir o final da noite e esquecer um dia quente e estressante, afinal quem já teve dias assim sabe como o por-do-sol pede aquela gelada antes de dormir.

Como não pode deixar de acontecer, as fofocas surgiam, afinal falar mal dos outros é a especialidade dessa mesa
O clima era muito bom, tocava um arrocha ou era um samba dos bons. O que importa é que a conversa seguia e a alegria estava no auge. Como não pode deixar de acontecer, as fofocas surgiam, afinal falar mal dos outros é a especialidade dessa mesa. Parecia ser mais um dia normal de uma boa cervejinha de meio de semana, não fosse pelo momento de pedir uma parcial e ver quanto cada um tinha, momento de desespero pro bolso do universitário-desempregado-boêmio.

A constatação foi a esperada, como sempre é. Era muita cerveja e pouco dinheiro. A decepção pelo final precoce da noite era latente. Até que alguém teve a ideia que mudaria a história daquele dia qualquer: "vamos esquecer a conta, beber até cansar. Depois acertamos a dívida". A epifania foi a salvação, a mesa aprovou por unanimidade e, imbuídos desse espírito democrático, começamos uma seção extraordinária.

a ideia que mudaria a história daquele dia qualquer: "vamos esquecer a conta, beber até cansar. Depois acertamos a dívida".
A partir daquele momento, o narrador não pode mais descrever com precisão o que aconteceu, por motivos etílicos que estão acima da vontade e da capacidade de compreensão humana. Não se sabe ao certo quantas cervejas foram, nem a hora que a festa acabou. Mas quando era a hora de embora, todos sabiam o que fazer, pra que ponto ir e que ônibus pegar. E além disso, todos sabiam o que dizer antes de ir: "põe na pindura!"

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Histórias de bar- Uma volta por Salvador, parte 3.

Chegamos e não tem nenhum bar aberto, há tempos que o objetivo não é mais levar Pedro até em casa e sim tomar uma cerveja. Procuramos e nada, não tem ninguém na rua. Os vigilantes todos dormem em suas guaritas e na rua passa um carro de vez em quando.

Tomamos a cerveja, conversamos mais um tanto e depois do preço da cerveja, resolvemos finalmente levar Pedro. Paramos em um posto de gasolina BR. A cena é a seguinte: pessoas se enroscando umas nas outras, num som ensurdecedor tocando qualquer pagode


Resolvemos ir no bar que fica no fim de linha cujo nome não me recordo. Na porta tem um senhor dizendo que o bar já esta fechado e que não vai entrar ninguém e nós imploramos por uma cerveja até descobrirmos que um dos nossos amigos é primo de uma das donas do bar! Coisa boa! O bar fica no fim de linha da praia do Flamengo ele faz parte de uma pousada é ventilado. Uma porta de correr de vidro na entrada do bar. Não é boteco, é mais alto nível tem uns pufes e mesas com toalha. No fundo tem um balcão de buffet e a cozinha que da pra ver através de uma janelinha. Tomamos a cerveja, conversamos mais um tanto e depois do preço da cerveja, resolvemos finalmente levar Pedro. Paramos em um posto de gasolina BR. A cena é a seguinte: pessoas se enroscando umas nas outras, num som ensurdecedor tocando qualquer pagode.

Passamos direito e fomos a loja de conveniência que está fechada por que na porta tem bem grande e claro. “PROIBIDO SOM”. Desgostosos com a falta de consideração do público os funcionários fecharam a loja. Fomos pra outro posto também BR, vazio e caro. Compramos uma caixa de cerveja e a noite terminou deitado num banco de praça na praia do flamengo com todos cansados e tontos.

Histórias de bar- Uma volta por Salvador, parte 2.

Sempre chegam os agregados à mesa, pessoas que eu conheço de longas datas, ou até mesmo das noites em Salvador e sentam, se servem de cerveja, nos servem de cerveja, energéticos, vinhos ou qualquer mistura alcoólica e quase sempre fatal. Conversa vai, conversa vem e mais gente se senta à mesa outras saem pra casa. O transporte na cidade, é como diz Gerônimo em uma de suas músicas “Depois das 22:30, é tão difícil o transporte em Salvador”, aí uma grande parte de pessoas que precisam dormir em casa sobram na rua. A solução é arrumar alguma coisa pra fazer até umas cinco e meia da manhã ou ir pra casa até no máximo às onze da noite. Nesse dia, ainda bem, eu estava de carro.

 O nível de ebriedade, mais uma vez, permitiu que a chuva não incomodasse e continuamos pedindo cerveja e conversando trivialidades


Começou a chover e as pessoas que estavam sentadas na praça entraram nos bares que lhes serviam, a gente ta sentado com a com a galera no Santa Maria, Pinta e Nina, conhecido bar do largo. Não saímos. O nível de ebriedade, mais uma vez, permitiu que a chuva não incomodasse e continuamos pedindo cerveja e conversando trivialidades. A chuva cai, a chuva para, e estamos lá sentados.

Vamos pra Praia do Flamengo, terra de ninguém ótimo pra fazer coisas ilícitas, mas o objetivo não é esse.


Vamos pra Praia do Flamengo, terra de ninguém ótimo pra fazer coisas ilícitas, mas o objetivo não é esse. Tenho de levar um dos amigos em casa e como moro pras bandas de lá, resolvi fazer esse agrado ao meu amigo. Eis que no meio do caminho surge uma blitz, ali na altura do antigo colégio Tereza de Lisieux. Todos jogam os cigarros fora e saltam três pessoas do carro um pouco antes do carro na nossa frente ser convidado a entrar pra ser vistoriado. Enfim sem IPVA pago, todos extremamente alcoolizados, ainda bem que não fomos pegos. Agora é esperar o pessoal do “cooper” chegar até a gente que paramos após a curva. Todos são e salvos a odisséia até a longínqua praia do flamengo continua.

Continua...

Histórias de bar - Uma volta por Salvador, parte 1.

O destino é o Pelourinho. Um amigo que tem uma banda vai tocar lá num espaço cultural chamado Sitoc. Eu estava com Danilo, meu companheiro de banda. A Sitoc é uma daquelas construções que fica na beira do barranco entre a cidade baixa e a cidade alta e que se houvesse a Sucon na época da construção, provavelmente o prédio não existiria. 


No carro tinha oito pessoas, umas jogadas por cima das outras e todos nós já suficientemente embriagados pra não se incomodar com a lotação


O show foi excelente, uma mistura de afoxé com rock e algumas pérolas da MPB todas arranjadas de forma dançante casando perfeitamente com um latão de cerveja geladíssimo. Muita gente animada e bem apertado. Lá pelas dez da noite termina tudo e nós (tem mais uns cinco amigos agregados já) resolvemos ir para o Largo de Santana, também conhecido como Praça da Dinha, no Rio Vermelho. No carro tinha oito pessoas, umas jogadas por cima das outras e todos nós já suficientemente embriagados pra não se incomodar com a lotação.

Eu não entendo como uma cidade como salvador quente como é, tem gente na rua de casacos de couro e botas


Chegamos em Dinha e a praça está lotada. A praça é iluminada, tem um toldo da baiana bem no meio, uma fila enorme de pessoas de todos os tipos pra comprar acarajé, outras tantas sentadas nas mesas tomando suas cervejas, até altas horas da noite. É onde se transcende do estado mental e se passa a um patamar de consciência alternativo sem sentir o durante, notando apenas que no fim da noite se está visivelmente bêbado. Não há quem não se sinta a vontade pra fazer o que quiser na praça ou conversar sobre qualquer assunto e no volume de voz que bem entender. É um espaço livre onde as pessoas se vestem como tem vontade. De biquíni a vestidos longos, todos os tipo estão nesse logradouro. A cerveja não é a mais barata do mundo e, inclusive, não me agrada nada o preço, mas fazer o quê?

O lugar traz a vontade de não levantar nunca da  mesa do bar e lá ficamos. Aí você senta e fica olhando as meninas e comentando as caras, roupas e apetrechos. Botas de couro, sobretudos, tudo que o pessoal do rock usa parece meio deslocado em Salvador, essa cidade inferno onde invariavelmente estamos a 30º C. Eu não entendo como uma cidade como salvador quente como é, tem gente na rua de casacos de couro e botas. Fora as figuras de lenço no pescoço, o pessoal da camisa preta, jeans e all star. Há também os típicos estudantes-comunistas-militantes com seus chinelos de couro, calças caqui e bolsa de lado. Todos têm seu espaço garantido.

Continua...