O destino é o Pelourinho. Um amigo que tem uma banda vai tocar lá num espaço cultural chamado Sitoc. Eu estava com Danilo, meu companheiro de banda. A Sitoc é uma daquelas construções que fica na beira do barranco entre a cidade baixa e a cidade alta e que se houvesse a Sucon na época da construção, provavelmente o prédio não existiria.
No carro tinha oito pessoas, umas jogadas por cima das outras e todos nós já suficientemente embriagados pra não se incomodar com a lotação
O show foi excelente, uma mistura de afoxé com rock e algumas pérolas da MPB todas arranjadas de forma dançante casando perfeitamente com um latão de cerveja geladíssimo. Muita gente animada e bem apertado. Lá pelas dez da noite termina tudo e nós (tem mais uns cinco amigos agregados já) resolvemos ir para o Largo de Santana, também conhecido como Praça da Dinha, no Rio Vermelho. No carro tinha oito pessoas, umas jogadas por cima das outras e todos nós já suficientemente embriagados pra não se incomodar com a lotação.
Chegamos em Dinha e a praça está lotada. A praça é iluminada, tem um toldo da baiana bem no meio, uma fila enorme de pessoas de todos os tipos pra comprar acarajé, outras tantas sentadas nas mesas tomando suas cervejas, até altas horas da noite. É onde se transcende do estado mental e se passa a um patamar de consciência alternativo sem sentir o durante, notando apenas que no fim da noite se está visivelmente bêbado. Não há quem não se sinta a vontade pra fazer o que quiser na praça ou conversar sobre qualquer assunto e no volume de voz que bem entender. É um espaço livre onde as pessoas se vestem como tem vontade. De biquíni a vestidos longos, todos os tipo estão nesse logradouro. A cerveja não é a mais barata do mundo e, inclusive, não me agrada nada o preço, mas fazer o quê?
Eu não entendo como uma cidade como salvador quente como é, tem gente na rua de casacos de couro e botas
O lugar traz a vontade de não levantar nunca da mesa do bar e lá ficamos. Aí você senta e fica olhando as meninas e comentando as caras, roupas e apetrechos. Botas de couro, sobretudos, tudo que o pessoal do rock usa parece meio deslocado em Salvador, essa cidade inferno onde invariavelmente estamos a 30º C. Eu não entendo como uma cidade como salvador quente como é, tem gente na rua de casacos de couro e botas. Fora as figuras de lenço no pescoço, o pessoal da camisa preta, jeans e all star. Há também os típicos estudantes-comunistas-militantes com seus chinelos de couro, calças caqui e bolsa de lado. Todos têm seu espaço garantido.
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